As 5 perguntas mais comuns sobre falar em público (e as respostas que você precisa conhecer!)

O Cenário:

Você é um especialista relevante na sua área de atuação. Conhece muito bem o seu trabalho e sabe como produzir bons resultados. Um belo dia você precisa fazer uma apresentação pública, justamente sobre o trabalho e os resultados que você conhece tão bem. Você não faz apresentações todos os dias, nem sequer toda semana, mas, mesmo assim, entende que precisa dar conta dessa com qualidade e competência: a oportunidade traz maior exposição para suas ideas e pode lhe colocar em lugares interessantes para sua carreira. Só que este é um evento específico, dentro de uma rotina com muitas outras atividades que você simplesmente não pode ignorar. É aí que bate uma ansiedade enorme e as perguntas começam a surgir na sua cabeça:

Porque falar em público me parece tão complicado?

Essa talvez seja a pergunta mais fácil de responder: grandes profissionais estudaram e se prepararam especificamente para fazer o que fazem. Não é chute nem tentativa e erro. É preparação. Mas esses mesmos grandes profissionais nunca estudaram especificamente como falar em público. A maioria deles jamais estudou seriamente nem os princípios fundamentais da comunicação. Quase sempre, aprendeu a fazer apresentações com um colega ou supervisor que (adivinhe!) também não estudou fala pública e talvez nem conhecesse de verdade os fundamentos da comunicação. Ou seja: cegos guiando cegos, e neste caso, mesmo com a melhor das intenções, vai faltar conhecimento e método, vão sobrar achismos e visões ultrapassadas…

Mas o que devo fazer para me sentir confortável ao falar em público?

Uma das primeiras coisas que normalmente me dizem é:  “eu não me sinto confortável ao falar em público." E veja, não estou me referindo a quem tem pânico de falar em público (embora eu também prepare pessoas com esse quadro, com literalmente 100% de resultados positivos), mas me refiro a pessoas que falam em público, mas focam no fato de não se sentirem à vontade com isso. A primeira coisa que precisa ser entendida é:

Sentir-se confortável e à vontade nem sequer faz parte do seu objetivo ao iniciar sua jornada de fala pública!

O seu objetivo é entregar informação de interesse para seu público de preferência de um modo estimulante e que crie engajamento. Se você vai se sentir à vontade, sinceramente, nem vem ao caso. Há palestrantes incríveis e altamente competentes (e famosos!) que não se sentem confortáveis diante da platéia, mesmo décadas depois de fazerem isso quase toda semana. Só que estes já entenderam que não é sobre como eles se sentem, mas como eles fazem o público sentir-se.  É somente óbvio e natural que você se sinta pouco confortável ao falar em público (exatamente como 98% da humanidade).

Isso inclusive tem explicações científicas muito claras…

Por que sinto tanta ansiedade diante do público?

Biologicamente, quando um ser humano é observado atentamente por um período de tempo mais longo que um olhar casual, imediatamente isso pode acionar uma parte do cérebro chamada amígdala. Desde o início da nossa vida como espécie, nossa biologia nos ensinou que ser atentamente observado implica em perigo: nas savanas, milhares de anos atrás, ser atentamente observado geralmente precedia o ataque de um predador. Portanto, quando você estiver sendo bem-sucedido e capturando a atenção das pessoas e elas estiverem bastante atentas a você, isso lhe despertará sensações incômodas.

Saiba disso. Mas não tente lutar contra a sua biologia. Apenas lembre-se que não são predadores. São apenas pessoas como você, provavelmente com vários interesses em comum. Perder tempo focando esta reação normal da sua biologia é bobagem: você não vai eliminar suas reações inconscientes simplesmente por ficar pensando nelas. Não é assim que seres humanos funcionam. E embora seja inútil lutar contra sua biologia, existe uma estratégia muito útil para diminuir esse efeito: chama-se dessensibilização. E acontece quando você se expõe com muita frequência a um desafio específico. Isso nos diz, então, que você deveria adotar uma estratégia bastante simples para lidar com essa parte do problema:

Qual a melhor estratégia para diminuir a ansiedade?

Falar em público muitas vezes, com muita frequência, em situações nas quais POUCO esteja em jogo.

Perceba que como você fala em público com pouca freqüência e muitas vezes até evita fazer isso, acaba só falando em público quando é muito importante, quando tem muita coisa em jogo. Essa é uma péssima estratégia, porque você tem poucas chances de diminuir a ansiedade quando um resultado ruim pode trazer grandes consequências.

Aproveite as oportunidades onde há pouco risco para se expor. Sabe o discurso de aniversário do seu colega, que acontece meio de brincadeira num bar? Aproveite. Fale.

Isso vai acostumar você a lidar com a situação, gradativamente e de modo mais seguro. E vai lhe dar mais horas de voo, por assim dizer.  Até porque todos conhecemos a idea de que você precisa de 10 mil horas fazendo qualquer coisa para se tornar expert na coisa. O problema, como mencionei, é que profissionais de outras áreas não podem simplesmente dedicar todas as suas horas a aprimorar a fala pública: eles tem muito mais a fazer do que apenas isso.

OK, eu não tenho 10 mil horas para ficar bom. Como acelerar a curva de aprendizado?

Método.

Apenas a prática sem método leva muito tempo para modificar seus resultados.

Mas a prática com método comprovado e eficaz encurta o seu tempo até chegar num resultado aceitável. E é ainda mais efetiva em encurtar o tempo para transformar seu resultado aceitável num resultado ótimo. (sim: em fala pública, em geral as etapas iniciais, do péssimo para o razoável, são mais trabalhosas do que do razoável para o ótimo).

Agora, dois alertas muito importantes sobre método: primeiro: método é algo específico, testado, aprimorado e intencionalmente criado para auxiliar na rapidez da evolução. Segundo: método de verdade tem de ser aplicável a qualquer um, literalmente.

É por isso que não resolve você se dedicar a copiar o que fazia “o Steve Jobs”, ou “o Barack Obama”. Esses não são métodos. São o modo que um indivíduo encontrou para fazer o que ele queria fazer. Nenhum deles é sequer profissional de comunicação. Eles apenas encontraram um caminho que funcionava para ELES - e no caso do Jobs ou do Obama, funcionava maravilhosamente - para eles - que jamais estiveram preocupados em criar um método que funcione para o resto da humanidade - inclusive para você.

Então, se você quer acelerar sua curva de aprendizado, procure método de verdade, criado por profissionais capacitados e especializados em comunicação  - e muito especialmente, que conheçam os desafios da fala pública, que são bastante específicos e solenemente ignorados inclusive pela maioria das pessoas formadas em comunicação social.

Método de verdade, com experiência de décadas preparando pessoas para os maiores palcos do mundo, CEOs e executivos para apresentações de negócios reais que acontecem todos os dias em diversos países e em diversos contextos de trabalho: isso é exatamente o que me levou a criar a StoryTalks junto com o Bruno Scartozzoni .

Te espero lá.

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