Perguntas da audiência: como lidar?
Normalmente, sou o primeiro a recomendar que se dê espaço pra perguntas da audiência ao falar em público. É bom, é interativo, é democrático.
Mas alguns cuidados são necessários: sempre que você abre a possibilidade da audiência fazer perguntas você tem um risco a ser gerenciado, exatamente como reflete a imagem que ilustra esse artigo. As pessoas muitas vezes vão fazer perguntas que não são perguntas e sim afirmações, ou longas teses de explicação, antes de efetivamente fazer uma pergunta. Eventualmente fazem perguntas excessivamente focadas em questões muito particulares, tão específicas que não temos como responder sem viver a realidade específica que ela vive. Ou perguntas cujas respostas estão logo adiante no seu discurso.
Então, como indica o gráfico acima (que é claramente uma brincadeira mas reflete uma situação verdadeira) não é necessariamente a maior parte das perguntas que efetivamente adiciona algo para o seu público.
Vamos a algumas sugestões e cuidados na hora de trabalhar com perguntas da audiência.
A primeira sugestão é que você, de preferência nos momentos iniciais da sua apresentação, sinalize para a audiência que você vai dar um tempo para perguntas e respostas no final da sua apresentação. Na maioria das vezes as perguntas que chegam no meio da apresentação tendem a interromper o fluxo do palestrante, prejudicando a sequência de ideias que ele está apresentando, e portanto, prejudicando o entendimento do público. O momento ideal da sessão de perguntas e respostas é no final da apresentação. Ou no caso de uma apresentação muito longa, no final de um assunto. Ou seja, quando você termina o assunto você pergunta se as pessoas têm dúvidas, antes de seguir para o próximo assunto. O mais importante desta sugestão é: se você sinalizar para as pessoas que vai haver uma sessão de perguntas e respostas no final da sua fala ou no final do assunto, elas tendem a seguir o fluxo da sua apresentação com mais tranquilidade. Aqui vale adicionar: se você está fazendo uma apresentação muito longa, recomende às pessoas que tenham como anotar as perguntas para fazê-las depois, sem interromper o fluxo da apresentação.
A segunda observação importante é que às vezes, principalmente em reuniões de trabalho, as pessoas se sentem obrigadas a responder as perguntas no exato momento em que são feitas, e isso nem sempre é a melhor ideia. Se o assunto faz parte daquilo que já está na apresentação o ideal é que você responda "já vou chegar nesse ponto” ou "esse ponto está logo adiante”. Essa é a escolha que mais favorece o coletivo do seu público.
A Terceira sugestão é como lidar com pessoas que na verdade não querem fazer perguntas mas sim começam a fazer um discurso. Isso infelizmente é muito comum. Neste sentido a primeira medida é que você deve ser muito claro em dizer a frase: - alguém gostaria de fazer uma pergunta? E assim que você disser esta frase, já complete pedindo a todos que sejam breves nas perguntas para que várias pessoas tenham a oportunidade de interagir.
O quarto ponto não é exatamente uma sugestão, é na verdade um cuidado que você deve tomar como palestrante. Entenda que o palestrante brigar ou discutir de uma maneira acirrada com alguém que é parte da sua audiência é muito complicado, sempre. O Palestrante tem tudo a perder com um debate que se torne deselegante ou agressivo, inclusive porque só o embate vai ganhar um destaque excessivamente grande aos olhos do restante do público, caso aconteça num tom desagradável ou agressivo, e isso vai acabar sendo a parte mais lembrada da sua apresentação. Portanto você não pode ser a pessoa que escala a discussão para a agressividade. Muitas vezes isso não é fácil e exige muita calma. Mas é extremamente importante que você não se engaje em discussões agressivas durante sua apresentação.
E quando o palestrante quer fazer perguntas para sua audiência? É importante ter em mente alguns problemas a se evitar: você não pode depender da resposta da audiência para dar sequência à sua apresentação ou discurso. Nesse sentido é de grande utilidade o uso de perguntas retóricas (ou seja, aquelas no qual o palestrante faz a pergunta mas não aguarda que o público responda, simplesmente responde por ele - desde não seja algo muito polêmico) é uma boa alternativa. Uma das coisas mais desagradáveis que pode acontecer é você fazer uma pergunta à sua audiência e a resposta não vir. Ou quando a resposta que volta não é aquela que você imaginava. Perceba: não cabe a você adivinhar o que o público pensa, não cabe a você adivinhar pensamentos. É muito mais interessante que você faça a pergunta retórica e já forneça a resposta para a continuidade da fala. Se entretanto, ciente de todos esses riscos, você ainda assim quer trabalhar com a ideia de perguntar para a sua audiência, tenha sempre em mente que isto é uma parte que não está efetivamente sobre o seu controle; isto significa que talvez consuma mais tempo do que você pretendia originalmente. Portanto se por exemplo, você tem apenas 15 minutos, mas quer fazer uma sessão de interação com o seu público, precisa considerar isso cuidadosamente na preparação do seu conteúdo ou será grande a chance de estourar o tempo que lhe foi oferecido.
Post escrito por Paulo Ferreira.